sábado, 15 de outubro de 2011

Morri só pra conhcer, O Poeta Zé Saldanha



Morri só pra conhecer
O poeta Zé Saldanha.

Tava em casa versejando
Raízes do meu sertão
Liguei a televisão
Tava um jornal passando
E o repórter falando
Quem acabou de morrer
Prestei atenção pra ver
Ele disse: Zé Saldanha
Foi uma aflição tamanha
Vou contar tudo a você.

Comecei logo a tremer
O poeta foi embora
Passei mais de uma hora
Tentando aquilo entender
Mesmo sem eu conhecer
O poeta afamado
Que reina no meu estado
No ramo da poesia
Famoso por energia
Um poeta abençoado.

E fiquei embasbacado
Pensando na poesia
Como agora ela seria
Sem um poeta arretado
Zé Saldanha versejado
Com rima celestial
DEUS poeta magistral
Não pensou de outro jeito
Pois poeta de respeito
É sempre seu principal.

E eu fiquei muito mal
Por não telo conhecido
Meu sorriso já perdido
Eu já não tava legal
Meu semblante sem astral
Minha mente escurecida
Poesia já perdida
Eu pensava a todo instante
Mas DEUS é um ser brilhante
Não me deixou sem guarida.

Mamãe me trouxe um café
Pediu pra eu se acalmar
Meu filho vá se deitar
Paciência tenha fé
Minha mãe grande mulher
Rainha do meu reinado
Me deitei mais acalmado
E dormi a noite inteira
Foi verdade verdadeira
Esse fato aqui contado.

Acordei meio assustado
Uma luz na minha frente
Que olhei bem derrepente
P’rum portão assim do lado
Fui andando abismado
Quando um sorriso acendeu
Disse: poeta sou eu
Pode chegar mais pra cá
Quando fui me aproximar
Zé Saldanha apareceu.

Chega tudo estremeceu
Ele disse: tenha calma
Eu falei: to vendo alma
Ele disse: não, sou eu
Por que se arrependeu?
- To com um pouco de medo
Ele me disse um segredo
Me convidou pra entrar
E eu sem titubear
Entrei naquele enredo.

Nas mãos tinha um brinquedo
Uma caneta e um papel
Que é pra escrever cordel
Coisa que não é segredo
Eu com um pouco de medo
E com muita atenção
Segurava em sua mão
Enquanto uma escada subia
E ouvindo a melodia
De uma viola em baião.

E chegamos num salão
Tava lotado de gente
Tinha um homem presente
Veio em nossa direção
Deu um aperto de mão
E um abraço apertado
Milanês cabra danado
Zé Saldanha ressaltou
E a ele me apresentou
Eu disse: muito obrigado.

Muita gente bem sentado
Outras pessoas em pé
Homem menino e mulher
Viola num dedilhado
Era um lindo ponteando
Poetas e cantadores
Era festa em louvores
Pra o poeta Zé Saldanha
Uma animação tamanha
Cantando versos de amores.

Eu vi um buquê de flores
De um cheiro agradável
Vi que era incomparável
Sua mistura de cores
Zé me disse: meus amores
Mandaram de lá pra cá
Eu comecei a pensar
Onde era que eu estava
Minha mente não parava
Era estranho o lugar.

E peguei a conversar
Eu e o poeta Zé
Eu sentado e ele em pé
Pedi pra ele sentar
Ele disse: venho já
E saiu logo chegou
Pegou um papel me entregou
Vamos fazer poesia
Me desmanchei de alegria
Um mote ele recitou.

Poeta agrestinense
Do Rio Grande do Norte
Sei que és poeta forte
És um norteriograndense
E eu sou um santanense
Da gema e cum certeza
O meu verso é a beleza
Do meu torrão naturá
Morresse pra encontrá
O poeta que surpresa.

Poeta meu camarada
O prazer é todo meu
E o meu prazer é teu
É uma linda jornada
Tais em terra abençoada
Nunca perde sempre ganha
Minha poesia apanha
Mais não me nego em dizer
MORRI SÓ PRA CONHECER
O POETA ZÉ SALDANHA.


Poeta Jadson Lima


3 comentários:

  1. Fiquei emocionada, e muito feliz de vê meu pai três anos após sua morte sendo lembrado em poesia, obrigada grande poeta

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  2. Fiquei emocionada, e muito feliz de vê meu pai três anos após sua morte sendo lembrado em poesia, obrigada grande poeta

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